Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo,

igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as quais esta, sucedida já em maioridade. Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura — cara, estatura, traje e gesto — imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto vejo...

Tomás Xavier (O Heterónimo Generativo)

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"Esta tendência para criar em torno de mim um outro mundo, igual a este mas com outra gente, nunca me saiu da imaginação. Teve várias fases, entre as quais esta, sucedida já em maioridade. Ocorria-me um dito de espírito, absolutamente alheio, por um motivo ou outro, a quem eu sou, ou a quem suponho que sou. Dizia-o, imediatamente, espontaneamente, como sendo de certo amigo meu, cujo nome inventava, cuja história acrescentava, e cuja figura — cara, estatura, traje e gesto — imediatamente eu via diante de mim. E assim arranjei, e propaguei, vários amigos e conhecidos que nunca existiram, mas que ainda hoje, a perto de trinta anos de distância, oiço, sinto, vejo. Repito: oiço, sinto, vejo..."

Fernando Pessoa in Carta a Adolfo Casais Monteiro, Lisboa, 13 de Janeiro de 1935 


Tomás Xavier, é saudável, jovem e estudante. Cruzamo-nos no café e ficamos horas à conversa, horas, imagine-se...! Partilhamos um pouco das nossas histórias e pensamentos, e de imediato, gerou-se uma certa afinidade. Bem sei que estou velho, mas senti-me rejuvenescer com a sua irreverência. Parece que nasceu em Sever do Vouga, uma pequena vila abençoada pela natureza das suas paisagens, rios e quedas de água, num dia chuvoso pela manhã e soalheiro à tarde, quando já todos se preparavam para dormir. Acho que a 15 de junho de 1990, se bem me recordo. 

A sua família, pobre e humilde, pouco mais sabia do que cuidar da terra. Mas sempre o incentivou a estudar, a ser alguém, a ir mais além. Mas, alguém... quem? além... até onde? Cresceu com esta inquietude. 

Gosta de ajudar, e sente uma realização profunda na ligação que tem com o outro, mas parece não encontrar uma ligação interna consigo próprio. Dedicado e determinado, deu para perceber que luta ferozmente pelos valores em que acredita e as causas que defende. Devido à sua personalidade multifacetada, versátil e adaptável, mas também hesitante e incerta, é um estudioso nato! Estudou artes e literaturas e agora estuda informática. E tão jovem...! O seu espírito vivo, independente e curioso fizeram dele um inconformista, dominado pela inquietude e pelo desejo de questionar todas as perspectivas, desafiar as regras e quebrar ideias pré-concebidas. Não se deixa limitar. 

Sensível e intuitivo, tem um forte espírito inventivo, mas o atropelo dos problemas da sociedade, as mudanças que experienciou na vida social, os avanços da tecnologia que o deixaram cada vez mais longe da realidade que conheceu na sua infância, a sua imaturidade natural devido à proteção da excessiva da sua mãe, trouxeram-lhe uma personalidade desobediente, contestando ordens e regras que considera serem limitadoras da sua liberdade. Talvez por isso seja um apreciador movimento dadaísta, nascido da vontade de quebrar a representação racional, contrariando as regras e conceitos tradicionais como forma de revitalizar a arte, com o qual se identificou veementemente.

Relaciona-se positivamente com os outros, mas é impulsivo e inquieto, nunca estava sentado muito tempo, ora se levantava, ora deambulava, ora sentava de novo. Brilhante, mas tímido,  notei-lhe uma eterna insatisfação, numa procura incansável pela novidade e inovação. Apesar de jovem, é já um diplomata convincente, com talento para a escrita e para o discurso oral. 


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